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Projeto da UA vence categoria do BGI - IUL MIT Portugal Caixa Capital Accelerator
 
 
Um dispositivo à escala milimétrica que mede a quantidade de radiação aplicada no organismo, desenvolvido por investigadores da Universidade de Aveiro (UA), venceu a quinta edição do Building Global Innovators (BGI) - IUL MIT Portugal Caixa Capital Accelerator, na categoria de Medical Technology and Health IT. A equipa promotora do projeto, designado nuRISE, recebeu 100 mil euros de prémio.

As previsões apontam para um aumento da incidência de cancro em 50 por cento para o ano de 2030. A radioterapia é um dos tratamentos mais usados e eficazes, sendo essencial a medição da quantidade de radiação. Um dos métodos usados, a braquiterapia para tratamento de cancro da próstata, passa pela introdução, através de cateter, de pequenos grãos de substância radiativa no corpo do paciente que permitem direcionar a radiação para a zona afetada.

Este dosímetro, que está a ser desenvolvido em duas versões, para baixa e alta taxa de dose, de dimensões inferiores a 1 milímetro de diâmetro, acompanha esses grãos, controla a sua distribuição e a dose administrada na região a tratar. O dispositivo poderá vir permitir certos avanços em tratamentos por radioterapia em doentes com cancro que são hoje impossíveis por ausência de um dispositivo sensível, flexível e de reduzida dimensão.

Formada pelos investigadores João Veloso, professor do Departamento de Física da UA, Luís Moutinho e Filipe Castro, a equipa desenvolveu o projeto, ao longo de três anos, no âmbito das atividades do grupo Deteção de Radiação e Imagiologia Médica (DRIM), do Instituto de Nanoestruturas, Nanofabricação e Nanomodelação (I3N), laboratório associado com polo na UA.

As colaborações já estabelecidas com o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e com os Serviços de Radioterapia dos Hospitais da Universidade de Coimbra vão permitir testar o dispositivo numa primeira fase in vitro usando modelos médicos, seguindo-se testes in vivo, ou seja, em pacientes.  Para além de todos estes testes que serão possíveis com o apoio financeiro recebido através do prémio, será ainda necessária a certificação do dispositivo, processo este que, por si só, pode demorar cerca de dois anos.

Para além do projeto nuRISE, premiado na categoria Medical Technology and Health IT, foram ainda premiados os projetos Lokkupp, na categoria Smart Cities and Industrial Tech, doDoc, na categoria Enterprise IT & Smart Data, e Corpower Ocean, na categoria Ocean Economy. Haverá ainda uma finalíssima no início do próximo ano em que o vencedor, escolhido entre estes quatro projetos, receberá mais 100 mil euros.